10/08/2010

Conversa de Casal


Para Que Serve Uma Relação a dois?

Por: Martha Medeiros

   "Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil".
   Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de ser amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração.
   Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.
   Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso.
   Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada e bonita a seu modo. Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, principalmente em casa.
   Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro quando o cobertor cair.
   Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.
   Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além.

09/08/2010

Estimulação cerebral com eletricidade é eficaz contra a depressão

Por: Agência USP
Os eletrodos são ligados a uma fonte de energia que emite uma baixa tensão em corrente contínua, que não chega a incomodar, não causa dor e não possui efeitos colaterais.[Imagem: Ag.USP]

Transtorno Depressivo Maior
   O Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital Universitário (HU) da USP está avaliando o uso da estimulação transcraniana por uma corrente elétrica para tratar o Transtorno Depressivo Maior.
   O protocolo de pesquisa está analisando 120 pessoas com depressão moderada, depressão grave e depressão muito grave, utilizando ou não medicamentos.
   O Transtorno Depressivo Maior é caracterizado pelo estado psíquico com humor deprimido, que prejudica as atividades profissionais e de lazer, levando à incapacidade de trabalhar e de se divertir, tanto por falta de prazer, quanto por falta de energia.


Incapacidade pela depressão
    A depressão é uma causa comum de incapacitação funcional.
   "As pessoas deprimidas apresentam alterações no padrão de sono e do apetite (muito ou pouco) e do pensamento (pensamentos de culpa, pessimista e de morte). Pessoas muito deprimidas também podem sofrer de dores crônicas e de distúrbios ansiosos", explica o psiquiatra André Russowsky Brunoni, um dos responsáveis pelo projeto.
   "Nossa pesquisa se assemelha a outras já realizadas nos EUA, Itália, Alemanha e mesmo no Brasil. De maneira geral, estas pesquisas mostraram uma eficácia deste tratamento, o que anima novos estudos. Por outro lado, deve-se ressaltar que todos estes estudos foram em pequenos grupos e que as suas conclusões não são necessariamente aplicáveis na nossa população", destaca Brunoni.


Energia contra a depressão
   O procedimento utilizado durante a pesquisa é bastante simples. No paciente sentado ou deitado são colocados eletrodos, envolvidos em esponjas com soro fisiológico na região frontal da cabeça.
   Os eletrodos são ligados a uma fonte de energia que emite uma baixa tensão em corrente contínua, que não chega a incomodar.
   A estimulação é indolor e não apresenta efeitos colaterais, nem de curto, nem de longo prazo. "A estimulação dura cerca de 30 minutos e deve ser aplicada consecutivamente por 10 dias úteis, aproximadamente duas semanas."


Efeitos colaterais dos antidepressivos
   Atualmente o tratamento da depressão é feito com o uso de antidepressivos, que podem causar diversos efeitos colaterais, como disfunção erétil, ganho de peso, sonolência, náuseas e vômitos, diarreia ou prisão de ventre, entre outros.
   "Estudos mostram que cerca da metade dos pacientes abandonam o tratamento em um ano devido aos efeitos colaterais. Além disso, um em cada três pacientes continua deprimido mesmo depois de tomar adequadamente mais de quatro antidepressivos."
   Vários estudos tentam descobrir porque os antidepressivos não funcionam para algumas pessoas, enquanto outros concluíram que os antidepressivos não funcionam por tratarem o estresse e não a própria depressão.
   Um dos objetivos da pesquisa é mostrar que o tratamento da estimulação funciona no mínimo tão bem quanto o antidepressivo.
   "Podemos esperar que no futuro a estimulação transcraniana seja oferecida para aquelas pessoas que não toleram antidepressivos devido aos efeitos colaterais, para pessoas que não podem tomá-los, como as gestantes, ou ainda para pessoas que estejam em uma depressão muito grave e que possam receber tratamento combinado de estimulação e medicação", conclui o pesquisador.


Aceitam-se candidatos
   O Centro de Pesquisas Clínicas do HU está selecionando candidatos para participar da pesquisa. Os interessados devem ter idade entre 18 e 65 anos, ser portador de depressão sintomática (ou seja, no mínimo depressão atual moderada ou grave) e podem estar usando antidepressivos atualmente.
   Todos serão avaliados para confirmação do diagnóstico de depressão. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail pesquisacientificahu@gmail.com ou pelos telefones (11)3091-9241 (Roberta), das 8 às 16 horas.
   Os resultados finais da pesquisa estão previstos para serem divulgados em 2011.

Fonte: http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=estimulacao-cerebral-eletricidade-contra-depressao&id=5470

06/08/2010

Universitários e especialistas orientam estudantes na escolha profissional

Por: Veruska Donato

   O Jornal Hoje visitou uma feira de profissões em São Paulo e esclarece algumas dúvidas de quem ainda não sabe qual graduação cursar ou a profissão que irá seguir.
   Eles têm entre 16 e 18 anos. É agora que devem decidir qual profissão seguir. Confusão faz parte.
   Essa feira organizada pela Universidade de São Paulo (USP) mostra os altos e baixos de cada curso e as necessidades da profissão. Mais de 1.500 estudantes visitaram os estandes.
   Há, no País, 274 cursos universitários, quase cinco vezes mais do que os 58 cursos que existiam na década de 80.
  Antigamente era assim, se gostava de matemática, seria um futuro engenheiro. Redação: jornalista. Hoje, você pode se dar muito bem de química e se tornar um publicitário.
  Por que não? Algumas perguntas podem ajudar na hora de escolher uma faculdade.

- Você quer trabalhar com crianças, adultos, animais ou natureza?
- Qual o seu talento? Construção civil, tecnologia ou educação?
- Você quer trabalhar em período integral ou meio período?
- Quer ter horário fixo ou flexível?
- O lugar onde você quer trabalhar é uma cidade grande ou pequena?
- Seu objetivo é ganhar dinheiro ou se realizar profissionalmente?

  "O trabalho de orientação profissional tem duas partes. Uma parte é o autoconhecimento, em que o estudante teve que pensar a respeito dele mesmo, e uma segunda etapa, que a gente apresenta as possibilidades. A partir daí, vai começar uma parte de busca de informação profissional o mais atualizada possível”, explica Maria da Conceição Uvaldo, coordenadora do Instituto de Psicologia da USP.
   Um núcleo de orientação vocacional desenvolveu um Jogo das Vocações para auxiliar os estudantes. Não é um teste que indica qual profissão seguir, a proposta é que ele ajude o estudante a pensar nas variáveis que envolvem a decisão profissional para que ele tenha mais condições de fazer sua opção.

 
Clique aqui para acessar o jogo:

Resiliencia: como colocar o stress a seu favor.

Por: Renata Reginato

   Resiliencia é a chave para uma pessoa gerenciar pressões e stress; ela enfrenta as adversidades com lucidez, de uma forma que a torna permeável ao processo de mudança. A palavra vem do latim “resílio” que significa voltar ao estado natural, resiliencia é um termo tomado de empréstimo da Física, se refere à propriedade que alguns materiais têm de se deformar quando submetidos a pressões e em seguida voltar ao estado anterior, sem alterações.
   O conceito de resiliencia para as Ciências Humanas é “a capacidade de uma pessoa em possuir uma conduta sã num ambiente insano, ou seja, capacidade do individuo sobrepor-se e construir-se positivamente frente às adversidades”. Pessoas resilientes conseguem superar um trauma sem sofrer as consequências negativas do stress, como distúrbios psico-somáticos, ou seja, enfermidades físicas e emocionais. Toda esta capacidade de superação ocorre originada de uma grande energia interior.
   A peculiaridade da resiliencia está no fato da pessoa poder escolher como quer perceber e responder às situações adversas. A resiliencia permite uma mudança significativa nas atitudes e na qualidade de vida da pessoa diante do caos do dia-a-dia, das cobranças, prazos, pressões, muita tensão e stress acumulado. Isso não significa ausência de dores emocionais, a diferença consiste na forma de vivenciá-las. Pessoas resilientes apresentam grande capacidade de adaptação.
   Há duas palavras em nossa língua que são similares na forma de pronunciar, mas opostas no significado: adaptação e acomodação. Adaptação é o ajuste de um organismo ao meio ambiente. Já a acomodação significa estabilidade, equilíbrio, repouso. Quando aplicados ao homem, é possível perceber que o acomodado está estável, não muda. Enquanto o adaptado muda o tempo todo, para acompanhar as mudanças que acontecem ao seu redor. O resiliente se adapta nunca se acomoda.
   De acordo com a Internacional Stress Management Association, entidade voltada para a prevenção e o tratamento do stress, as pessoas resilientes sofrem o impacto da mudança e as dores emocionais que estas mudanças ocasionam, mas reúnem forças e se reposicionam.
   A adaptabilidade que pessoas resilientes demonstram e sua capacidade de recuperação após o impacto inicial da mudança, permitem que elas evitem as disfunções do choque no futuro. Ao contrario de se tornarem vitimas de mudanças, pessoas que demonstram características resilientes geralmente prosperam durante a quebra de suas expectativas e a desordem de uma adversidade.
   As pessoas resilientes não enfrentam menos desafios que outras em época de crise, mas elas tipicamente recuperam seu equilíbrio mais rapidamente, mantém um nível mais alto de qualidade e produtividade nas dimensões pessoal e profissional, preservam a saúde física e emocional e alcançam mais o objetivos. Estas pessoas também são suscetíveis ao stress da mudança, não é que elas impeçam os efeitos da mudança, mas é que estes efeitos são, no final, mais frutíferos do que danosos.
   As pessoas, de um modo geral, não podem saber se vão ou não ficar com raiva ou tristes, quando algo inesperado acontecer em suas vidas, mas podem sim, definir quanto tempo vão querer ficar alimentando esse sentimento, assim como fazer para canalizar essa emoção com uma ação construtiva.
  O resiliente opta pela criatividade e inteligência diante de uma situação adversa, transformando deliberadamente, desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculo em oportunidade, tristeza em alegria. Esta postura solucionadora diante da vida é prova de que a pessoa não precisa deixar as emoções de lado para tornar-se resiliente, precisa apenas desenvolver novas aprendizagens no sentido de superar desafios com o máximo de competência, sabedoria, excelência e saúde possíveis.
   A composição das características de uma pessoa resiliente é identificada pela formação genética, sócio-cultural e por traços de personalidade. Esta combinação de características pode ser descritas da seguinte forma:
• São autoconfiantes: acreditam em si e naquilo de que são capazes de realizar por si mesmas.
• Gostam e aceitam mudanças: encaram as situações de estresse e adversidade como um desafio a ser superado.
• Têm baixa ansiedade e alta extroversão: são abertas às novas experiências e a formas inovadoras de fazer as coisas.
• Têm autoconceito e auto-estima positivos: conseguem administrar seus sentimentos e suas emoções em ambientes imprevisíveis e emergenciais.
• São emocionalmente inteligentes: conhecem suas emoções, sabem administra-las, sabem automotivar-se, reconhecem emoções em outras pessoas e sabem manejar relacionamentos.
• São altamente criativas: procuram constantemente por inovações e se adaptam a elas.
• Dispõem de uma eficaz capacidade de resposta: mantêm altos níveis de clareza, concentração, calma e orientação frente a uma situação adversa.
  A agilidade e o entusiasmo que pessoas resilientes demonstram ao enfrentarem adversidades resultam de uma elasticidade que lhes permite permanecer relativamente calmas em ambientes imprevisíveis. Elas podem se recuperar repetidamente ao serem submetidas aos estresses da mudança.Na realidade , quando pessoas resilientes enfrentam a ambiguidade, ansiedade,e a perda de controle que acompanham uma mudança,elas tendem a se fortificar com as experiências em vez de se sentirem esgotadas.
   A mudança provoca uma crise quando quebra significativamente as expectativas sobre questões e eventos importantes. Os chineses expressam o conceito de crise com dois símbolos separados: ela pode representar o perigo em potencial ou pode representar oportunidades ocultas.Combinando estes dois símbolos,os chineses perecem estar caracterizando a mudança como um paradoxo .
   Toda vivência humana pode ser expressa em termos de paradoxo: o plugue elétrico que entra na tomada tem dois pinos, cada um acessando uma carga: a positiva e a negativa. Dessa oposição vem o proveito da corrente elétrica.O dia apenas é compreensível em contraste com a noite.O masculino apenas é relevante em contraste com o feminino. A atividade apenas tem significado em relação ao repouso; o paladar é uma questão de contrastes .O para cima apenas é possível na presença do para baixo.O que seria do norte sem o sul? Onde a alegria não está limitada pela sobriedade?
   Por alguma razão incompreensível as pessoas rejeitam frequentemente essa natureza paradoxal da realidade e num momento de tolice, acham que podem funcionar fora dela. No mesmo instante em que o fazem,traduzem o paradoxo em oposição.Quando o lazer é arrancado do trabalho,ambos ficam danificados.O sofrimento pessoal começa quando as pessoas se martirizam entre estes dois opostos.Ao tentar abraçar um sem pagar tributo pelo outro,degradam o paradoxo transformando-o em contradição.Entretanto,os dois pares de opostos devem ser igualmente honrados.Suportar a própria perplexidade é o primeiro passo para a cura.Então a dor da contradição se transforma no mistério do paradoxo. Ele força as pessoas a irem além de si mesmas e destrói adaptações ingênuas e inadequadas. A maior parte do tempo as pessoas sustentam dois pontos de vista antagônicos e evitam o confronto.
   Esta é a realidade de muitas vidas modernas. Num dia comum tem incontáveis exemplos dessa opinião dividida: “ preciso ir ao trabalho, mas não tenho vontade”; “ não gosto do meu vizinho,mas preciso ser educado com ele”; “ eu deveria perder peso mas gosto muito de certos alimentos”; “meu orçamento está apertado mas…” Estas são as contradições com as quais vivem constantemente.Essas ilusões,porém, devem ser desfeitas,por mais doloroso que isso possa ser.
   Não é possível simplesmente apagar um lado da balança, mas podem mudar a maneira de olhar para o problema. Quando aceitam estes elementos opostos e suportam a colisão deles em plena consciência, abraçam o paradoxo. A capacidade para acolher o paradoxo é a medida da resiliencia e o sinal mais certo de inteligência emocional ampliada.
   Na medida em que as pessoas encontram o seu maior medo é aí que ela vai se desenvolver em seguida. O ego é moldado como o metal, entre o martelo e a bigorna. Isso é para os corajosos e não é fácil encontrar uma natureza moral ou ética forte o bastante para o processo. O heroísmo poderia ser redefinido em nossa época como a capacidade de aguentar o paradoxo e a pressão que ele provoca. Dar passagem ao paradoxo dentro de si mesmo, consentir a ele é consentir à aceitação que é maior que o ego. A vivencia de conforto fica exatamente neste ponto de insolubilidade no qual acham que não podem mais prosseguir. Isso é um convite para aquilo que é maior do que o próprio eu. A resiliencia ampliada depende da capacidade de equilibrar a necessidade do ego de fazer com a capacidade inata de ser. Esta conciliação pode proporcionar a felicidade e a pequena medida da paz que todos buscam.


Referencias Bibliográficas:
Resiliencia – A construção de uma Nova Pedagogia para uma escola Pública de Qualidade – Col. Na Sala de Aula 13, Celso Antunes, Editora Vozes.
Resiliencia e Educação, José Tavares, Editora Cortez.
Resiliencia a Arte de ser Flexível I, Frederic Flach, Editora Cortez.
Resiliencia, A Presença da Pedagogia, Antonio Carlos Gomes da Costa, Editora: Global.

Conversando com os pais - Parte II

“Dicas para os pais melhorarem o relacionamento com seus filhos.”


Por: Içami Tiba



1- Dê menos ordens e conselhos aos filhos e mesmo que não concorde de início, escute-os até o fim.

2- Em vez de querer sempre ensiná-los, aprenda com seus filhos. Seja um bom aluno aprendendo com ele a lidar com vídeo, computador, micro-ondas, em vez de pedir (ordenar) o que você mesmo pode fazer.

3- Em vez de se preocupar em levar seus filhos às festas, procure pegá-los e “entregue” seus amigos para as respectivas casas. Se estiver de mau humor é melhor nem sair de casa. Aproveite para conversar com todos sobre a festa. Você ouve o que ele não lhe falaria sozinho.

4- Em vez de obrigá-los a dormir cedo, acorde-o bem mais cedo.

5- Conheça bem os amigos dos seus filhos antes de declará-los “más companhias”. Não se deixe guiar somente pelas aparências. Os jovens são muito preconceituosos contra quem tem preconceitos.

6- Quando você manda um filho calar a boca enquanto você fala, provavelmente ele também fecha os ouvidos.

7- Dê prêmios ao filho que realmente merece sem se sentir culpado por não dar a quem merece, mesmo que sejam irmãos. Assim como o melhor tempero da comida é a fome, o que valoriza o presente é o merecimento.

8- Se a televisão é mais importante que uma cotidiana conversa, provavelmente qualquer droga pode ser mais interessante que a família.

9- Se seu filho está “inconvivível”, é bom raptá-lo (sem amigos) para viver com ele uma semana inteirinha. A pesada convivência dos primeiros dias pode ser transformada em gostosas descobertas mútuas.

10- Seja um interessante protagonista e não mero figurante para o seu filho. Jogar “papo fora” com seu filho que é o que ele mais faz com seus amigos, é preferível aos “diálogos operativos” que nada mais são que as perguntas respondidas com lacônicos “sim, não, mais ou menos” e mais interessam ao pai que aos filhos.

11- Mesmo que seu filho não tenha feito o que você pediu, não deixe de valorizar o que ele fez. Constantes críticas podem gerar complexos. Descubra e estimule algo no seu filho que ele possa se orgulhar.

12- O prazer é o recreio do dever, mas é o dever que sustenta o prazer. Não há dever que só sacrifique, nem prazer que sempre dure. Se o pai teima em ser o dever, resta ao filho ser o prazer.

13- Em vez de se vangloriar do “seu tempo, na idade dele”, aproveite as vantagens da globalização e/ou da informatização de seu filho tanto entende.

14- Um ótimo relacionamento afetivo se faz na mútua sensação de pertencer, preservando-se o respeito e a individualidade de cada um.

15- Um filho precisa mais de um pai humano e participante, que se abra nas suas dificuldades e inclusive solicite sua ajuda, que um pai perfeito, um distante dita regras que nunca precisa dos filhos para nada.

03/08/2010

Conversando com os pais - Parte I

   Será mesmo necessário um projeto de lei para regulamentar a relação dos pais e filhos? 
   Em função disso resolvi postar uma série de textos que intitulei  ''Conversando com os pais'' para refletirmos acerca desse assunto.

 “Limite: Uma difícil tarefa para os pais”

  Por: Vladimir Melo

   Além de frequente como queixa dos pais nos consultórios de psicologia, a falta de limites se tornou também tema popular nas prateleiras de livrarias.
   Na realidade, os pais costumam procurar algum tipo de ajuda apenas quando a adolescência dos filhos se aproxima e todas as tentativas de se fazer obedecer já foram esgotadas. Outro sinal de alerta é a escola, que muitas vezes é a primeira a chamar a atenção da família para o comportamento da criança.
   Ao chegar ao consultório, os pais normalmente deixam claro que a psicoterapia é para o filho e acham de imediato alguém ou algum fato responsável pela falta de controle da situação. Algumas vezes, relatam que todas as formas de punição fracassaram e que a única maneira da disciplinar a criança é através do castigo físico. O sentimento de culpa por uma gravidez indesejada ou pela ausência em algum momento da vida do filho acompanham alguns discursos dos pais.
   É importante que os pais sejam informados de sua função no processo terapêutico e que recebam a segurança necessária para que toda a família suporte as reações da criança às situações de frustração. Dizer não representa uma dificuldade maior para os pais que para os filhos. Por isso, cabe ao psicólogo explicar que o não é preciso e que a criança depende disso para aprender a lidar com regras.
   Uma atividade que pode ser utilizada no consultório e em casa é o jogo. É por meio da brincadeira ou do jogo que a criança retrata mais facilmente sua relação com as normas. Permitir à família jogar significa observar como ela se comporta diante das regras, quais as reações frente às transgressões e qual a atitude para restabelecer o referencial de autoridade.
   A psicoterapia, quando atinge sucesso, tem seu resultado mais nítido no comportamento dos pais, que se sentem mais confiantes no exercício do limite. O entendimento de que a criança busca o limite, suporta a frustração e incorpora as regras à sua conduta traz um grande alívio para os pais.
   Ao final da jornada, percebe-se que a criança não foi alvo principal da mudança. A família, inevitavelmente, passou por uma grande transformação e encontrou um meio próprio de conciliar a autoridade e o afeto. Os livros podem ser um veículo útil nas mãos dos pais, porém não são suficientes na maioria das vezes. A visão da configuração familiar é a condição insubstituível para o psicólogo sugerir alternativas e acompanhar os conflitos nas relações entre pais e filhos.
   Compreendendo que determinar limites é uma árdua tarefa para os pais, enfatizo a participação destes na psicoterapia e não acredito que, ignorando esse aspecto, resultados expressivos possam ser atingidos.