24/08/2010

Atitudes que facilitam a resolução de problemas

Por: Jael Coarac
  
   Não existe uma fórmula pronta para resolver problemas. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. 
    A maneira de resolver um problema depende da natureza de cada um.
   Algumas atitudes e comportamentos que podem ajudá-lo a encontrar as soluções que procura para superar suas dificuldades. Elas não estão dispostas numa ordem especial, mas são instrumentos de navegação que podem funcionar como referências no seu percurso até as soluções que procura:

• Reconhecer o problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Aceite a situação como ela se apresenta. Quando você deixa de resistir ao que se apresenta, em dado momento, recupera grandes quantidades de energia que estavam sendo utilizadas no processo de resistência. A energia liberada poderá então, ser utilizada na busca de soluções criativas.

• Pergunte a si mesmo: o que de pior pode acontecer nesta situação? Esta pergunta o ajudará a colocar o problema em suas devidas proporções. Frequentemente, a mente produz fantasias aterrorizadoras que jamais acontecerão. Ao dimensionar o que poderia acontecer de pior, você perceberá que esteve criando fantasmas mentais, e que todas as coisas têm solução. Passará a agir na direção dos resultados positivos.

• Defina quais as soluções possíveis para o problema e entre em ação. Einstein dizia que não é possível encontrar a solução para um problema com o mesmo padrão de pensamento em que a pessoa estava quando o problema foi criado...

• Reúna informação sobre a questão. Ao adquirir conhecimento sobre o problema, o medo e a ansiedade diminuem significativamente. Procure conversar como outras pessoas que resolveram dificuldades semelhantes. Embora cada ser seja único e o que valeu para um, pode não funcionar para você, sempre poderá aprender com a experiência do outro.

• Peça apoio das pessoas em quem confia. Se for o caso, peça ajuda a especialistas. Sentirá que não está tão só para fazer o percurso necessário até solucionar sua dificuldade.

• Em vez de querer estar com a razão e brigar por isso, abra a mente e pare de fazer julgamentos. A necessidade de estar sempre certo pode afastar as respostas que estão no seu caminho.

• Divida o problema em pequenos desafios que poderão ser vencidos, um a um. Muitas vezes, chegar à solução final pode parecer algo muito grande ou fora de alcance. Se, entretanto, você estabelecer o percurso, passo a passo, poderá se manter no caminho certo sem se deixar abater pelas dificuldades.

   Aprecie e valorize o aprendizado que um problema apresenta. Em vez de reclamar ou de sentir-se vítima da situação, aproveite para crescer e seguir adiante na direção dos seus sonhos e objetivos de vida.

16/08/2010

Conversando com os pais



Antes que eles cresçam



Por: Afonso Romano de Santana

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos. É que as crianças crescem independentes de nós como árvores tagarelas e pássaros estabanados, e crescem sem pedir licença. Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas não crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente. Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde é que andou crescendo aquela “danadinha”, que você não percebeu? Cadê aquele cheirinho de leite sobre a pele? Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e amiguinhos e o primeiro uniforme do maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você agora está ali na porta da discoteca esperando que ela não apenas cresça mas também apareça. Ali estão muitos pais ao volante esperando que saiam esfuziantes sobre patins e cabelos soltos.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos que conseguimos gerar apesar dos golpes dos ventos, das colheitas das notícias e das ditaduras das horas. E eles crescem meio amestrados, observando nossos erros.
Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos próprios filhos. Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e festas. Passou o tempo do balé, do inglês, da natação e do judô. Saíram do banco detrás e passaram para o volante das próprias vidas.
Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvirmos sua alma respirando conversas confidenciais entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertos daquele quarto cheio de adesivos, pôsteres, agendas coloridas e discos ensurdecedores. Não, não os levamos suficientemente ao parque de diversões, ao shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas merecidas.
Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo nosso afeto. No princípio, subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e amiguinhos. Sim, haviam as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, pedidos de chicletes e sanduíches e cantorias infantis. Depois chegou a idade em que viajar com os primeiros namorados. Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas “pestinhas”.
O jeito é esperar. Qualquer dia podem nos dar netos. O neto é a hora do carinho ocioso estocado, não exercidos nos próprios filhos e que não podem morrer conosco. Por isso os avós são tão desmensurados e distribuem tão incontrolável carinho. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.

15/08/2010

Reflita sobre seus hábitos.




“Autobiografia em Cinco Capítulos”

Por:Nyoshul Khenpo

Primeiro Capítulo
Ando pela rua
Há um buraco fundo na calçada
Eu caio
Estou perdido... sem esperança
Não é culpa minha
Levo uma eternidade para encontrar a saída.

Segundo Capítulo
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada
Mas finjo não vê-lo.
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar
Mas não é culpa minha
Ainda assim levo um tempão para sair.


Terceiro Capítulo
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada
Vejo que ele ali está
Ainda assim caio... é um hábito
Meus olhos se abrem
Sei onde estou
É minha culpa.
Saio imediatamente

Quarto Capítulo
Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada
Dou a volta.

Quinto Capítulo
Ando por outra rua

13/08/2010

Crise dos 25 anos: um mundo de opções e dúvidas.


Por: Humberto Maia Junior
   Até pouco tempo, Daniel e Lívia estavam perdidos, inseguros e confusos. Jovens, de boas famílias, bem educados e conscientes do quanto o mundo pode oferecer a eles, não conseguiam se decidir sobre qual caminho seguir. Falta de maturidade? Talvez. Os dois, como milhões de outros jovens nascidos entre o final da década de 1970 e final da de 1980, sofreram da crise dos 25.
   A crise dos 40 se dá quando a pessoa, já madura, questiona o rumo dado à vida e se lamenta de não ter conseguido realizar os sonhos de juventude. Já a dos 25 antecipa essas angústias quando o jovem, vendo um mundo de opções atraentes, hesita em fazer a melhor escolha.
   Afinal, o que é melhor: comprar um carro ou viajar para o exterior? Casar, namorar ou curtir a vida de solteiro? Fazer especialização, um MBA no exterior, ou se dedicar ao emprego e juntar o máximo de dinheiro possível? Ou, melhor mesmo, seria prolongar a adolescência e ficar pulando de curso em curso na universidade?
   O termo Quarterlife Crisis, ou crise de um quarto de século ( tradução livre), criado no começo do século 21 nos Estados Unidos, foi popularizado no livro "A Crise dos 25", de Alexandra Robbins e Abby Wilner. A situação também aparece em filmes como "Encontros e Desencontros", e na música "Why Georgia", de John Meyer. Todos tentam traduzir essa transição para a vida adulta.
   Há pouco mais de 30 anos, essa transição era mais fácil, diz a psicóloga Denise Pará Diniz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A geração dos pais da garotada de hoje tinha menos escolhas. A trajetória era mais definida: conseguir um emprego que desse estabilidade necessária para o casamento e os filhos. "A pessoa ia meio que no automático", diz Denise.
   Hoje, as opções são completamente diferentes. "Os jovens adultos do século 21 cresceram em um ambiente infinitamente mais complexo e tornaram-se bem mais exigentes", argumentam os autores no livro.
   Nesse meio, o casamento não é visto como algo vitalício. Ter filhos vem depois da estabilização na carreira e da realização de sonhos como conhecer o mundo e curtir a vida. E a carreira não é apenas a forma de obter dinheiro - mas satisfação pessoal.
   A psicóloga Lulli Milman, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), especialista no atendimento a jovens, diz que o indivíduo também enfrenta a pressão por uma vida perfeita. "No mundo contemporâneo, é preciso ter tudo. Tudo deve ser maravilhoso, senão a pessoa é vista e se vê como uma fracassada."
   De quem é a culpa? Os pais teriam falhado ao oferecer de tudo aos filhos e sem exigir algo em troca? Pagar MBA ou as férias, em si, não é ruim. "Batalhamos para dar aos nossos filhos coisas que os nossos pais não deram", diz Denise, mãe de um rapaz de 25 anos. "Mas os nossos pais fizeram algo que muitos pais não fazem hoje: conversar com os filhos sobre a realidade." Ao contrário, apelam à super proteção, o que posterga problemas que um dia virão.
   Como resultado, os jovens estariam relutando em assumir responsabilidades. "É comum jovens que vêm à clínica dizendo que não têm ideia de como se imaginam em alguns anos", conta Lulli. "Eu forço eles a dizer algo como 'ser garçom em Londres', 'subir o monte Everest', mas eles não conseguem falar." Aí, vem a sentença fatal: "Muita gente hoje não tem perspectiva de futuro".
   Se alguns falham na hora de imaginar os sonhos, outros temem em assumir escolhas: ou ficam estagnados ou estão sempre mudando. "Essa fase dos 25 anos é uma época de escolhas, mas não se pode patinar nas decisões", afirma Denise. O problema é que a tomada de decisões implica algumas perdas. "Sempre que se escolhe alguma coisa, se perde outras. A vida é assim porque não dá para ter tudo junto."

RESGATADO PELO SOCIAL
   Dinheiro nunca foi importante para o americano Daniel Brett, que completa 25 anos no mês que vem. Aos 23, formado em Economia, ganhava US$ 30 por hora em um escritório de São Francisco. Morando com os pais, seguia rumo ao "american dream" - ganhar o primeiro milhão de dólares até os 30 anos. Ficar preso em uma sala não era, porém, vida para ele. "Não via propósito nisso", relembra. "Comecei a questionar o que eu queria, mas estava completamente perdido."
  Ao ler o livro "Na Natureza Selvagem", que narra a história de Chris McCandless, o jovem que, em 1990, doou a poupança de US$ 24 mil e se tornou andarilho nos EUA até morrer no Alasca dois anos depois (a história ganhou versão cinematográfica), pensou em seguir a vida errante. Preferiu fazer serviço social na Índia, onde dava aulas para crianças carentes. Voltou para casa após dois meses.
   Pensou em conhecer a América do Sul. Comprou passagem de ida para a Colômbia e seguiu para a Argentina. "Pensei que eu poderia dar aulas de inglês." Mas, até chegar a Buenos Aires, ainda não tinha certeza do que queria. Leu o livro "O Banqueiro dos Pobres", em que o indiano Muhammad Yunus conta sobre a fundação de um banco que empresta dinheiro (sem garantias) aos pobres.
   Hoje, Brett pesquisa o impacto ambiental da pesca de salmão no Chile. Em 2010, quer morar no Brasil para trabalhar com pessoas carentes. "Hoje, me sinto mais seguro."
   O QUE O JOVEM PRECISA SABER Os conselhos das psicólogas Denise Pará Diniz e Lulli Milman para os jovens: - A vida se constrói por etapas. Ninguém consegue ter tudo o que quer de uma vez - Sonhar é bom. Arriscar, idem. Mas insistir em metas irrealizáveis é um erro - Sempre é possível recomeçar - Experiências existem para serem vividas. Se boas, ótimo. Se ruins, aprenda com elas - Escutar pais, amigos ou modelos é bom e saudável. Mas quem faz escolhas é você - Na vida, existem direitos... e deveres.

QUAL SONHO EU DEVO ESCOLHER?
   A designer de moda Lívia Fonseca de Freitas, 27, é extrovertida, descolada e decidida: em janeiro, deixou São Paulo para estudar em Milão. "Sempre senti que o Brasil não era o meu lugar." Ela também não hesitou em abandonar o emprego - trabalhava para o estilista Rogério Figueiredo, que faz vestidos de festa para socialites e celebridades. "Era bacana, gostava muito de lá, mas não ganhava (salário) de acordo com as minhas qualificações."
   A autoconfiança dela para por aí. Lívia tem vários pontos de interrogações na cabeça. Um deles é sobre o grande dilema de muitas mulheres: até que ponto vale a pena investir na carreira e deixar de lado casamento e filhos? "Deixei o Brasil porque, se não mudasse, continuaria na mesma vida até casar e ter filhos", diz. "Mas também quero ter uma família. Aí fica um peso. Será que não dá para ter os dois?".
   Outro receio é na vida profissional. Apesar de estar cursando Master em Fashion Designer na capital mundial da moda, está desempregada, o que aumenta a insegurança. "Estou estudando, realizando um sonho, mas e aí? O que vem depois? Fico com medo... Vou ser bem-sucedida?" Assim como Lívia, ninguém tem essa resposta. Ela fala sobre os planos e, em seguida, hesita de novo: "Será que eu estou fazendo as escolhas certas?"

Casais Homossexuais

Casais homossexuais conquistam na Justiça o direito à união estável.  

   O Brasil, ao contrário de muitos países, ainda não conseguiu aprovar uma lei que permita a união estável para casais homossexuais, apesar de haver 17 projetos de lei sobre o assunto em tramitação no Congresso Nacional. Diante da morosidade do Poder Legislativo - que começou a discutir o assunto em 1995 -, os direitos civis desses casais estão sendo conquistados no Judiciário. Pelo menos 10 tribunais estaduais e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já admitiram haver união estável entre casais de mesmo sexo em seus julgados.
 

   Partindo do reconhecimento dessa união, magistrados já concederam a homossexuais pensão por morte, inclusão em plano de saúde como dependente e participação em herança. Também já autorizaram a adoção de crianças por casais de mesmo sexo. A primeira adoção foi admitida pelo STJ em abril deste ano. No caso, uma das mulheres já havia adotado duas crianças ainda bebês. E sua companheira, com quem vive desde 1998, queria também figurar como mãe no registro dos menores. Ao analisar o processo, os ministros da 4ª Turma foram unânimes em manter a decisão favorável ao casal proferida pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS). Para eles, na adoção deve prevalecer sempre o melhor para a criança. E, nesse caso, os laços afetivos entre as crianças e as mulheres são "incontroversos".
 

   Desde 1998, o STJ vem reconhecendo a união estável entre homossexuais. Mas só dez anos depois, em 2008, é que a Corte passou a analisar o tema como direito de família, e não como direito patrimonial. O primeiro caso envolve um engenheiro agrônomo brasileiro que vivia há 20 anos com um canadense. Eles buscaram a declaração de união estável para obter visto permanente para o estrangeiro. Na época, a votação foi apertada em três votos a dois, a favor do reconhecimento. No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) resolveu contestar a decisão. Como o caso está pendente de julgamento, o canadense decidiu regularizar sua situação no Brasil por outra via, com visto de trabalho.
 

   O tema já chegou, inclusive, no Supremo Tribunal Federal (STF). A Procuradoria Geral da República (PGR) defende em uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin), ajuizada no ano passado, que o não reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar estaria desrespeitando os princípios da dignidade da pessoa humana, da igualdade, da vedação de discriminações odiosas, da liberdade e da proteção à segurança jurídica. O caso foi levado diretamente ao Plenário da Corte. 
   Para a advogada e vice-presidente do Instituto Brasileiro da Família, Maria Berenice Dias, apesar de não haver ainda um posicionamento do Supremo, é irreversível o avanço conquistado pelos casais homossuexuais na Justiça. Ela, que já foi juíza e desembargadora no Rio Grande do Sul, já julgou diversos processos sobre o tema. Entre os casos emblemáticos, um que trata do direito de herança a um parceiro homossexual no Tribunal de Justiça gaúcho. Após uma relação que durou 47 anos, o companheiro teve que entrar na Justiça para brigar com o Estado pelo seu direito à herança, já que o falecido não tinha parentes. No fim, em um julgamento apertado, a Corte estadual reconheceu a união e o direito à herança. Porém, o caso ainda está pendente de recursos nos tribunais superiores.
 

   Mas, ainda que haja diversas decisões favoráveis na Justiça, somente uma lei poderia assegurar esses direitos civis a todos os casais homossexuais, segundo Maria Berenice Dias. Ela afirma que isso seria fundamental para encerrar de vez a polêmica sobre o reconhecimento da união estável. "Até para que esses casais não dependam da interpretação de juízes, órgãos da administração ou de empresas. Sem uma regulamentação formal, ainda há uma enorme dificuldade", diz.
 

   Como a Constituição e o Código Civil apenas admitem a união estável entre homem e mulher, uma simples alteração nesses termos bastaria para que essas relações homoafetivas pudessem ser reconhecidas. E essa mudança aparentemente simples poderia até diminuir o preconceito existente, segundo advogada e professora de direito de família do Mackenzie, Ana Scalquette. Assim como ocorreu com a regularização do divórcio ou da união estável.
 

   Para a professora, o país tem caminhado para o reconhecimento de um novo núcleo familiar, sem o formalismo de um casamento, como ocorreu na Argentina, mas onde se admite a união estável. Para ela, " independentemente de religião, dogmas e preceitos, o Estado tem que tratar todos de forma igual, sem distinção". A advogada Regina Beatriz Tavares da Silva, presidente da Comissão de Direito de Família do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), também entende que é oportuna a aprovação de uma lei que permita a união estável para casais homossexuais, desde que não contrariem as normas de ordem pública e os bons costumes. Para ela, seria importante fazer essa ressalva para que cada juiz decida dentro do contexto existente em cada cidade brasileira, respeitando a diversidade cultural.

Companheiro pode ser incluído no IR?
 

   O governo federal garantiu este ano alguns direitos aos casais de mesmo sexo. O Ministério da Fazenda aprovou em julho um parecer da Procuradoria-Geralda Fazenda Nacional (PGFN) que dá direito a homossexuais de incluir o companheiro ou companheira como dependente no Imposto de Renda. Os casais podem retificar as declarações dos últimos cinco anos.
 

   Em junho, a Advocacia-Geral da União (AGU) admitiu que a união homoafetiva estável dá direito ao trabalhador do setor privado de receber benefícios previdenciários. E o Ministério de Relações Exteriores passou a emitir passaportes diplomáticos para companheiros de servidores que trabalham nas representações do Brasil no exterior. Desde 2006, o órgão concede assistência médica a parceiros homossexuais.
 

   Para o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, além das conquistas obtidas no Judiciário e no Executivo, foi estabelecido um plano na Conferência Nacional de Políticas Públicas para Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (GLBTT), que ocorre desde 2008, com 180 ações para serem colocadas em prática em 18 ministérios. Em geral, são movimentos para diminuir o preconceito e melhorar a integração.
 

   Na esfera legislativa, Reis informa que foi formada uma Frente Parlamentar pela Cidadania GLBT, que reúne em torno de 240 parlamentares federais. E que a associação agora está empenhada em aprovar o projeto de lei nº 4.914, de 2009, assinado por 11 parlamentares de partidos diferentes. A proposta, que tramita na Câmara dos Deputados e ainda tem que passar pelo Senado Federal, altera o Código Civil e estabelece a união estável para casais homossexuais. O presidente da entidade afirma que tem esperança de que seja aprovada em breve uma lei sobre o tema. "Não queremos destruir a família de ninguém, só queremos construir a nossa família, com direitos iguais".

Parceiras querem ter seus nomes em certidões de nascimento de gêmeos

    Adriana Tito Maciel e Munira Khalil El Orra estão juntas há quatro anos. E, há quase dois anos, as duas pleiteiam na Justiça paulista o direito de registrar como mãe os gêmeos Eduardo e Ana Luiza, de um ano e três meses.

    Adriana gerou os bebês que, por enquanto, estão registrados apenas em seu nome. Mas Munira doou os óvulos para fazer a inseminação artificial. Esse é provavelmente o primeiro caso na Justiça em que figuram a mãe biológica e a mãe que gerou as crianças.

    A advogada do casal, Maria Berenice Dias, do Maria Berenice Dias Advogados, entrou com o processo antes dos bebês nascerem. Para Adriana, a ideia era já registrar no nome das duas. "Mas como isso não ocorreu em tempo, tive que registrar sozinha", afirma. Essa situação já provocou alguns transtornos para Munira, que ainda não é oficialmente mãe dos gêmeos. Eduardo nasceu com uma síndrome rara e precisa de tratamento, mas Munira não pode viajar com ele sem autorização expressa de Adriana. "Na AACD, onde o Eduardo faz tratamento, eles entenderam a situação e foram solidários. Por isso, Munira pode acompanhar nosso filho", diz Adriana. Porém, segundo ela, " fica complicado para Munira ter que provar o tempo todo que também é mãe das crianças".

    Para Adriana, a família que elas construíram é igual a todas as outras. Elas moram na casa ao lado da sua mãe e do seu irmão. E a mãe de Munira vai sempre visitá-las no fim de semana. "O direito tem que ser igual para todos. A igualdade tem que prevalecer", afirma. Segundo Adriana, as duas dividem tudo, " de responsabilidades a fraldas". "Tudo isso tem que ser encarado com naturalidade. Temos um enorme carinho pelas crianças. A Ana já nos chama de mãe." 
Adriana Aguiar, de São Paulo

Fonte: VALOR ECONÔMICO - LEGISLAÇÃO & TRIBUTOS