Quando se tem filhos, os cuidados dobram com a chegada da puberdade. O período de mudanças hormonais costuma coincidir com a fase de imersão na web. Orkut, Facebook, Twitter, Youtube e outras ferramentas tornaram-se, na última década, o passatempo favorito da garotada, ainda muito incauta em se tratando de perigos virtuais.
A fim de investigar esse comportamento, a empresa McAfee, especializada em segurança da informação, levantou em 2010 com que frequência meninos e meninas acessavam a internet. Com base numa amostragem de 400 jovens, entre 13 e 17 anos, a pesquisa A vida secreta dos adolescentes: o comportamento dos jovens na web mostrou que navegar nas redes sociais é hoje a principal atividade nessa faixa etária, com 83% de adeptos.
A relação com os pais também foi abordada pelos pesquisadores. Dos adolescentes, 54% disseram ser questionados pelos responsáveis a respeito dos sites visitados, sendo que metade negociou, previamente, o que poderia ou não ser acessado. Apesar de a grande maioria, 88%, afirmar que os adultos acreditam que eles usam a internet corretamente, 39% não revelam as páginas que frequentam. Além disso, 32% deles têm como costume limpar o histórico do navegador e 39% minimizam o conteúdo toda vez que um adulto se aproxima. Ou seja, os pais ficam por fora do que os filhos estão publicando na rede.
Enquanto isso, os adolescentes divulgam nas redes sociais que, por exemplo, fumaram um cigarro, cabularam uma aula, tomaram um porre ou perderam a virgindade. Segredos escancarados para milhões de usuários da internet e desconhecidos pela família. “Como a maioria dos pais não domina essas ferramentas, eles desconhecem o que o filho está fazendo. Dessa forma, fica complicado para eles reconhecerem, a tempo, as consequências que os filhos podem sofrer com essas ações”, observa o psicólogo Fauzi Mansur.
Ao contrário de muitas mães que ainda acreditam que os filhos estão seguros em casa, mesmo com os olhos grudados no computador, a empresária Régia Rezende, 38 anos, faz questão de visitar as páginas frequentadas pela filha de 14 anos. Régia abriu uma conta em todas as redes sociais que a menina participa para tentar entender a mudança de comportamento da jovem, que antes só apresentava boas notas e conversava abertamente com a mãe. Qual não foi a surpresa de Régia ao ler posts e tweets indignados com a família e a escola?
“Fiquei surpresa com a raiva, com o linguajar da minha filha. Algo estava errado e isso me preocupou. Somos amigas e foi difícil perceber que, naquele espaço virtual, ela falava coisas sobre mim que eu nem sequer imaginava. Ela ainda contava tudo sobre o que sentia por um paquera, sem qualquer pudor”, lembra. A primeira providência a tomar foi chamar a filha e mostrar-lhe que estava ciente do que estava acontecendo. A adolescente explicou que não via nada demais no que fazia, uma vez que os amigos faziam o mesmo.
Trocar palavrões sobre os pais, compartilhar impressões sobre “ficantes”, criticar aulas da escola, combinar de sair para beber… Tudo estava ali. “Expliquei para minha filha que aquelas informações poderiam trazer implicações graves para ela”, recorda. Uma dessas exposições na internet, inclusive, rendeu à adolescente uma suspensão no colégio.
Hoje a garota se mostra mais conscienciosa e precavida. “Acho que o que aconteceu comigo foi um despertar. O mesmo deve ter acontecido com os outros pais de amigos da minha filha, que só souberam o que os filhos estavam escrevendo e fazendo porque eu fui atrás. Precisamos fazer parte desse universo para entender a linguagem dos nossos filhos e alertá-los sobre as consequências que determinadas informações podem acarretar no futuro”, enfatiza.
Revista do Correio Braziliense 22/05/2011
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22/05/2011
09/05/2011
A Tirania do Corpo Perfeito
Algumas mocinhas já consideram impossível ser felizes e, ao mesmo tempo, mostrar uma dobrinha na barriga quando sentam. Alguns mocinhos sacrificam boa parte da capacidade de aculturação que a natureza nos deu, em intermináveis e obsessivas horas “puxando ferro” nas academias de musculação. Isso sem contar com a comodidade que algumas pessoas gozam por poderem atribuir a um pequeno excesso de gordura na cintura, a um nariz ligeiramente mais profuso ou a um seio menos farto, toda a responsabilidade pelos fracassos em conquistar o sexo oposto. Parece estar havendo uma locação anatômica da felicidade, ora no seio, ora no nariz, ora na balança.
Pessoas têm como sonho de consumo a cirurgia plástica, a lipoaspiração ou, como se diz, a lipo-escultura (palavrinha mágica que mistura a perda da gordura com uma coisa artística). Algumas pessoas não se envergonham em dizer (não se envergonham por causa do apoio cultural) que se “pudessem fariam uma plástica geral, trocariam tudo, modificariam tudo”. Quer dizer, são pessoas infelizes com o próprio corpo.
Corpo Perfeito
O problema não seria grave se a preocupação com o corpo não fosse uma obsessão capaz de escravizar, capaz de entorpecer pessoas em busca de defeitos e dobrinhas aqui e ali, imaginando que se tirasse um pouquinho daqui, colocasse um tantinho a mais ali tudo ficaria melhor, mais perfeito, mais sarado.
Alguns podem contra argumentar que a pessoa não tem toda culpa por se submeter a esse escravagismo estético. A censura e a vigilância culturais seriam os grandes carrascos da prisão em estreitas calças jeans a que todos somos submetidos. Mas aí poderíamos parodiar Sartre: “– Se não podemos ser responsáveis por tudo aquilo que a cultura e a sociedade nos fez, seremos sim muito responsáveis pelo que faremos com tudo aquilo que a cultura e a sociedade nos fez”.
Alguns dos reflexos da submissão da felicidade humana ao corpo perfeito, malhado, esculpido, e com músculos bem definidos tem sido a anorexia e a bulimia, mais comum do lado feminino, e a vigorexia, mais comum em homens. Mas outros reflexos psíquicos não tão patológicos também fazem parte da obsessão pelo corpo, como a privação de contatos sociais, complexos de inferioridade, submissão aos “tratamentos milagrosos” (e caros), retraimento no contacto com o sexo oposto, consumo de medicamentos com severos efeitos colaterais, etc.
Ser jovem, aliás, ser eternamente jovem é a principal aspiração existencial de algumas pessoas, atualmente acrescida do ideal de beleza de ser magro(a), malhado(a) e esbelto(a). No Brasil, o conceito de beleza está associado a ser jovem, como se fosse impossível encontrar o belo fora da juventude. Talvez por isso nosso país esteja entre os primeiros no ranking da Cirurgia Plástica Rejuvenescedora, além de ser também um voraz consumidor de medicamentos para emagrecer.
É triste, mas às vezes as pessoas acham que o mais importante é o que aparentam, e não o que são de fato. E é comum dizer-se “– Nossa, você já tem 60 anos? Mas não parece...”. Não parece como? Baseado em que? Ora essa atitude invalida todas as experiências vividas para se chegar aos sessenta, que não se consegue aos trinta ou quarenta.
“Bela, jovem e magra, custe o que custar”. Ser bonita, fazer um book e tentar ser famosa através dos atributos físicos... Este é o conceito ideal que algumas meninas, adolescentes, jovens e mulheres perseguem incessantemente. Modelos, artistas de cinema e de televisão são os protótipos copiados por elas, colocando em segundo plano outros atributos que não os do corpo perfeito.
De fato, romper esses estereótipos culturais tem sido muito difícil. As pessoas são catalogadas culturalmente e classificadas em categorias sociais; jovens e belas, modernas, avançadas, de atitude, arrojadas, descoladas, enfim, nesse mundo pretensamente liberal e democrático, nessa sociedade que se diz respeitar a individualidade e autenticidade, quem não se enquadrar obrigatoriamente no modelinho da modernidade desejada estará, automaticamente, excluído do mundo das pessoas “de bem”. E um desses modelinhos implica na observância obsessiva dos limites do peso, tiranamente estabelecido por sabe-se-la-quem.
Mas há uma luz (tênue) no fim do túnel e aqueles que conseguem seguir o próprio caminho, emancipados dos estereótipos ou modelinhos culturais, parecem viver muito melhor. Foi o que mostrou uma pesquisa feita em 1995 na Universidade de Edinburgh, na Inglaterra, transformada no livro e comentada na revista Época. O autor, o psicólogo David Weeks, pesquisou, por uma década, pessoas que viviam fora dos padrões - tanto de comportamento quanto estéticos. Foram 789 americanos, 130 britânicos, 25 alemães e 25 neozelandeses. Ao fim, concluiu que pessoas fora dos padrões eram mais seguros, menos estressados, mais felizes e, por isso, tendiam a viver mais.
Fonte: GJ Ballone - Psiqweb
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23/04/2011
Fotos de Set's Terapêuticos do Museu de Ciência e Tecnologia em Londres
Exposição Psicanálise e o Inconsciente
Sempre que tenho a oportunidade de fazer uma viagem, seja por qual motivo for, procuro me informar se no local a ser visitado tem algo que eu possa fazer para agregar conhecimento a ser utilizado em meu trabalho.
Os psicanalistas mais ortodoxos ainda preferem atender em set's terapêuticos semelhantes aos das fotos.
Sempre que tenho a oportunidade de fazer uma viagem, seja por qual motivo for, procuro me informar se no local a ser visitado tem algo que eu possa fazer para agregar conhecimento a ser utilizado em meu trabalho.
Em visita recente a Londres, estive no Museu de Ciência e Tecnologia onde estava acontecendo uma exposição sobre Psicanálise e Inconsciente.
Compartilho algumas fotos com vocês. Espero que gostem.
Seguem algumas imagens de sets terapêuticos.
Observem que em todos os ambientes o analista fica posicionado fora do campo visual do analisando.
01/02/2011
O Guardião do Mosteiro
Por: Autor desconhecido
Certo dia num mosteiro, com a morte do guardião, foi preciso encontrar um substituto.
O Mestre convocou, então, todos os discípulos para determinar quem seria o novo sentinela.
O Mestre, com muita tranquilidade, falou :
- Assumirá o posto o primeiro que resolver o problema que vou apresentar.
Então, ele colocou uma mesinha magnífica no centro da enorme sala em que estavam reunidos e, em cima dela, pôs um vaso de porcelana muito raro com uma rosa amarela de extraordinária beleza a enfeitá-lo e
disse apenas :
- Aqui está o problema !
Todos ficaram olhando a cena : o vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro.
O que representaria ? O que fazer ? Qual o enigma ?
Nesse instante, um dos discípulos sacou a espada, olhou o Mestre, os companheiros, dirigiu-se ao centro da sala e ... ZAPT ... destruiu tudo com um só golpe.
Tão logo o discípulo retornou a seu lugar, o Mestre disse :
- Você será o novo Guardião do Castelo.
Não importa qual o problema.
Nem que seja algo lindíssimo.
Se for um problema, precisa ser eliminado.
Um problema é um problema.
Mesmo que se trate de uma mulher sensacional, um homem maravilhoso ou um grande amor que se acabou.
Por mais lindo que seja ou, tenha sido, se não existir mais sentido para ele em sua vida, tem que ser suprimido.
Muitas pessoas carregam a vida inteira o peso de coisas que foram importantes no passado, mas que hoje somente ocupam um espaço inútil em seus corações e mentes.
Espaço esse indispensável para recriar a vida.
Existe um provérbio que diz :
"Para você beber vinho numa taça cheia de chá é necessário primeiro jogar o chá fora para, então, beber o vinho".
Limpe a sua vida, comece pelas gavetas, armários, até chegar às pessoas do passado que não fazem mais sentido estar ocupando espaço em seu coração.
O passado serve como lição, como experiência, como referência.
Serve para ser relembrado e não revivido.
Use as experiências do passado no presente, para construir o seu futuro.
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06/01/2011
Planos conjuntos reforçam laços e ajudam a manter viva a relação
Não há época mais oportuna para estabelecer metas como o início do ano. Quem está envolvido num relacionamento deve aproveitar o momento para pensar em projetos a dois, como realizar uma viagem, reformar ou comprar uma casa, ter um filho. Fazer planos conjuntos, além de ser uma grande demonstração de amor, traz segurança para o união.
Todo ano, nesta época, os meios de comunicação não se cansam de mostrar gente famosa ou comum falando sobre suas intenções, seus projetos para o novo ciclo de 365 dias que acaba de se iniciar. Apesar da repetição cansativa, esses depoimentos têm uma virtude. Eles nos inspiram a traçar os nossos próprios planos e tomar resoluções - em geral, aquelas que vêm sendo adiadas: “Neste ano vou emagrecer, deixar de fumar, fazer muita atividade física, guardar dinheiro, me separar, me casar”.
Nem sempre chegamos lá, mas, mesmo assim, é ótimo que façamos planos. Precisamos ter metas. Elas nos fazem avançar. E é assim também nos relacionamentos.
Para um casal, estabelecer objetivos é uma prova de amor. Nenhuma relação dura muito se os parceiros não traçam planos conjuntos. Eles dão vida à uniões. Pode ser uma viagem, a troca ou a reforma da casa, guardar dinheiro ou mesmo ter um filho. Quando se realiza um, outro vem logo em seguida. Se não há projetos, nem que seja o de um simples passeio, o namoro ou casamento tende a perder vigor, podendo até acabar.
Planejar significa, de certa maneira, controlar o futuro, o que dá aos amantes mais segurança. Significa, que os dois se querem e têm a intenção de continuar juntos. Mas é preciso que ambos estejam de acordo sobre os objetivos a serem alcançados e se empenhem para chegar a eles. Quando as metas saem da cabeça de apenas um dos parceiros e o outro simplesmente o segue, acaba sacrificando os próprios desejos, anulando-se. Esse tipo de situação gera ressentimentos e uma hora a cobrança vem.
Fazer planos é especialmente importante para parceiros ansiosos ou inseguros, pois eles se sentem mais fortes e capazes de atingir as metas estabelecidas. Os projetos colaboram para que se tornem mais responsáveis por seu futuro, saibam o que devem fazer, e em que ordem, e isso, em geral, dá bons frutos. Apenas é preciso tomar cuidado com planos ambiciosos demais. Quando não realizam, a frustração é certa, o que às vezes gera desgaste na relação. Os casais têm de almejar algo que seja possível colocar em prática - nem tão pequeno que não exija esforço, nem tão grande que desanime.
O começo de novo ano traz também uma mensagem de esperança, de que podemos refazer o que não deu certo, começar de novo. Se no ano anterior uma das partes do casal errou, mostrou-se egoísta, não foi carinhosa, ou não ajudou o outro, agora tem a possibilidade de fazer diferente, corrigir-se. Os ciclos que se repetem e os rituais ajudam os casais tentar mudar a relação, a refazê-la de maneira mais positiva. O ano que acaba nos lembra que é possível acabar também com tudo o que é ultrapassado e imperfeito em nossas vidas. É isso, sobretudo, que as pessoas que se gostam devem comemorar: a possibilidade de se corrigir, de recomeçar, de mudar.
Mais individuais, porém igualmente importantes para a relação, são os planos de aprimoramento pessoal, de crescimento emocional, de aumento da tolerância, além, é claro, do não julgamento do outro. Precisamos deixar de culpar o parceiro por todos os desentendimentos e pensar que, se o escolhemos, é porque há, na gente, inconsciente, algo daquilo que, nele, nos irrita. Assim quando optamos por alguém egoísta ou agressivo é bem provável que tenhamos aspectos egoístas ou agressivos, ainda que não os exerçamos. E, aí, é bom pensar no que devemos mudar em nós mesmos. Isso pode fazer com que o outro passe a nos ver de forma diferente e talvez mude também. Em suas parábolas, Jesus Cristo já dizia: “É mais fácil ver um cisco no no olho do vizinho do que uma trave em nosso próprio olho”. Uma boa meta para o novo ano é tentar enxergar os ciscos em nossos olhos. Se o fizermos, ficará muito mais fácil realizar ao lado de nosso amor, os planos para 2011.
Por: Leniza Castello Branco
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02/12/2010
Pais de hoje educam os filhos para o trabalho, mas não para o amor
Eles fazem tudo que podem para mostrar aos jovens o quanto é importante desenvolver uma carreira, mas se esquecem de ensinar-lhes como lidar com os relacionamentos afetivos. O resultado é a formação de adultos bem-sucedidos profissionalmente e incompetentes no âmbito amoroso, pessoas que sofrem solitárias ou fazem sofrer quem com elas se relaciona.
Uma amiga queixou-se que o filho rejeita o vínculo afetivo duradouro. Aos 32 anos, acha que o amor é hipocrisia. Lembrei-me, então, de como ela e o ex-marido sempre proporcionaram a esse rapaz conforto e luxo, conseguidos graças à dedicação de ambos ao trabalho. Depois de separados, persistiram na missão de servir de exemplo ao filho, mostrando orgulho pela carreira construída e pelos ganhos financeiros. Essas lembranças me levaram a refletir sobre as mensagens hoje transmitidas aos jovens sobre carreiras e relações afetivas. Que diferença!
Pais como minha amiga e o ex-marido educam os filhos para admirar e valorizar a carreira. Mas quase não vejo pais que os eduquem de modo a ver a relação amorosa como um patrimônio que deva ser cuidado para que dele tenham orgulho no fim da vida.
Noto pais sacrificando para dar aos filhos exemplo de profissionalismo. Mas não vejo casais cultivando uma relação gostosa e consistente que sirva de exemplo para os filhos. Conheço pais que não medem esforços para que os filhos aprendam a comunicar-se em outros idiomas. Nunca encontrei pais que procurassem incentivar seus rebentos a comunicar-se sem mentiras e manipulações. Ouço pais e mães citando gurus corporativos para inculcar nos filhos a atitude de vestir a camisa da empresa. Mas não conheci pais e mães que se esforçassem para ensinar-lhes a serem cônjuges fiéis.
Existe muita dedicação na aquisição de competências profissionais e pouca na de competências para a vida amorosa. As pessoas acreditam que nasceram sabendo como se relacionar afetivamente. Mas cresce o número de relações sem harmonia e dignidade, de pessoas incompetentes afetivamente, que geram sofrimento em quem se envolve com elas.
Respeito e compromisso aparecem no discurso da maioria, mas não nas atitudes. Cansei de ouvir relatos de rapazes que conhecem moças na balada e as levam para casa, para uma noite de prazer. De madrugada, elas vão embora - e eles voltam a dormir, despreocupadamente, a despeito dos perigos da cidade. Não há sensibilidade e respeito da parte deles, e elas não se fazem respeitar nesta questão. Ligar no dia seguinte para agradecer pelos momentos passados juntos, então, nem pensar! São descartáveis uns para os outros. Compromisso é um conceito que parece referir-se a casamento apenas e não ao cuidado que devemos ter com alguém com quem estivemos envolvidos, ainda que por pouco tempo.
As moças dizem que os rapazes somem de repente. Não ligam, não atendem às chamadas, não dão notícias. Por e-mail a desculpa é sempre a mesma: "Estou atolado de trabalho!" Descobre-se depois que saem com outras. Isso é falta do quê? Educação? Respeito? Caráter? Ora, se alguém some do trabalho sem dar motivo é demitido por justa causa!
Não me entenda mal, leitor. Não coloco o trabalho em oposição à relação amorosa. Creio que ambos são imprescindíveis para o equilíbrio e a saúde mental. Creio também que é infeliz quem busca realização em um ou em outro apenas. Meu alerta é no sentido de conscientizar e sensibilizar. Se o cuidado na educação para as relações amorosas fosse igual ao que se dá à formação profissional não haveria tanta gente sozinha, infeliz ou vivendo relações insanas.
Por: Rosa Avello
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Pais como minha amiga e o ex-marido educam os filhos para admirar e valorizar a carreira. Mas quase não vejo pais que os eduquem de modo a ver a relação amorosa como um patrimônio que deva ser cuidado para que dele tenham orgulho no fim da vida.
Noto pais sacrificando para dar aos filhos exemplo de profissionalismo. Mas não vejo casais cultivando uma relação gostosa e consistente que sirva de exemplo para os filhos. Conheço pais que não medem esforços para que os filhos aprendam a comunicar-se em outros idiomas. Nunca encontrei pais que procurassem incentivar seus rebentos a comunicar-se sem mentiras e manipulações. Ouço pais e mães citando gurus corporativos para inculcar nos filhos a atitude de vestir a camisa da empresa. Mas não conheci pais e mães que se esforçassem para ensinar-lhes a serem cônjuges fiéis.
Existe muita dedicação na aquisição de competências profissionais e pouca na de competências para a vida amorosa. As pessoas acreditam que nasceram sabendo como se relacionar afetivamente. Mas cresce o número de relações sem harmonia e dignidade, de pessoas incompetentes afetivamente, que geram sofrimento em quem se envolve com elas.
Respeito e compromisso aparecem no discurso da maioria, mas não nas atitudes. Cansei de ouvir relatos de rapazes que conhecem moças na balada e as levam para casa, para uma noite de prazer. De madrugada, elas vão embora - e eles voltam a dormir, despreocupadamente, a despeito dos perigos da cidade. Não há sensibilidade e respeito da parte deles, e elas não se fazem respeitar nesta questão. Ligar no dia seguinte para agradecer pelos momentos passados juntos, então, nem pensar! São descartáveis uns para os outros. Compromisso é um conceito que parece referir-se a casamento apenas e não ao cuidado que devemos ter com alguém com quem estivemos envolvidos, ainda que por pouco tempo.
As moças dizem que os rapazes somem de repente. Não ligam, não atendem às chamadas, não dão notícias. Por e-mail a desculpa é sempre a mesma: "Estou atolado de trabalho!" Descobre-se depois que saem com outras. Isso é falta do quê? Educação? Respeito? Caráter? Ora, se alguém some do trabalho sem dar motivo é demitido por justa causa!
Não me entenda mal, leitor. Não coloco o trabalho em oposição à relação amorosa. Creio que ambos são imprescindíveis para o equilíbrio e a saúde mental. Creio também que é infeliz quem busca realização em um ou em outro apenas. Meu alerta é no sentido de conscientizar e sensibilizar. Se o cuidado na educação para as relações amorosas fosse igual ao que se dá à formação profissional não haveria tanta gente sozinha, infeliz ou vivendo relações insanas.
Por: Rosa Avello
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